A determinação do valor da pensão alimentícia que um pai deve pagar é baseada principalmente nos princípios de necessidade do beneficiário e possibilidade do pagador. No Brasil, não há um valor fixo estipulado por lei para a pensão alimentícia, pois ela é calculada de acordo com as circunstâncias de cada caso. É comum utilizar uma porcentagem da renda do pagador, variando geralmente entre 10% e 30%, dependendo do número de filhos e das necessidades específicas de cada um.
Para calcular o valor da pensão, considera-se primeiramente a renda mensal líquida do responsável pelo pagamento. Deduções como impostos e outras pensões já estabelecidas são subtraídas para chegar ao valor líquido. A capacidade financeira de outros responsáveis legais pelas crianças também pode ser considerada, buscando um equilíbrio na divisão das responsabilidades.
Além da renda, as necessidades da criança ou adolescente são cuidadosamente avaliadas. Despesas com saúde, educação, moradia, alimentação e lazer são levadas em conta. Essas necessidades são analisadas em relação ao padrão de vida que a criança tinha antes da separação dos pais, tentando mantê-lo na medida do possível.
O processo legal para a definição da pensão alimentícia geralmente começa com uma ação de alimentos, movida por um dos pais ou representantes legais da criança, no tribunal de família. A decisão judicial levará em conta todas as evidências apresentadas sobre as condições financeiras do pagador e as necessidades do recebedor. Mudanças significativas nas condições de qualquer uma das partes podem levar a revisões futuras do valor estipulado.
O valor da pensão alimentícia pode ser ajustado para ser maior no caso de crianças com deficiência, refletindo as necessidades especiais e custos adicionais que frequentemente acompanham o cuidado e desenvolvimento dessas crianças. As despesas médicas, terapias especializadas, adaptações necessárias na residência e outras necessidades específicas são fatores considerados ao calcular a pensão alimentícia, visando proporcionar o suporte adequado.
Legalmente, a justiça considera essencial que a pensão alimentícia garanta não apenas as necessidades básicas, mas também um suporte ampliado que possa incluir tratamentos médicos especializados e equipamentos necessários que não seriam comuns para outras crianças. Isso pode resultar em uma porcentagem maior da renda do pagador sendo destinada à pensão, em comparação com situações de crianças sem deficiência.
Além disso, o período durante o qual a pensão alimentícia deve ser paga também pode ser estendido. Normalmente, a obrigação termina quando a criança atinge a maioridade, mas no caso de crianças com deficiência, essa obrigação pode continuar indefinidamente, dependendo do grau de autonomia e capacidade de sustento do beneficiário.
A revisão da pensão alimentícia pode ser solicitada sempre que houver mudanças significativas nas condições financeiras de quem paga (o alimentante) ou nas necessidades de quem recebe (o alimentando). A mãe pode entrar com o pedido de revisão se verificar que as despesas das crianças aumentaram de forma notável ou se ocorreu uma mudança na situação econômica do pai que justifique o aumento ou a diminuição do valor estabelecido anteriormente.
Para solicitar uma revisão, é necessário apresentar provas concretas das mudanças que fundamentam o pedido. Isso inclui, por exemplo, documentação que comprove aumento nas despesas com saúde, educação ou moradia das crianças, ou comprovantes de alteração na renda do pai, como novos contracheques ou declarações de imposto de renda que evidenciem alteração salarial, seja para mais ou para menos.
Além disso, a mãe deve formalizar o pedido por meio de uma ação de revisão de alimentos no tribunal de família. O processo seguirá os trâmites legais com a representação por um advogado, onde ambas as partes poderão apresentar suas argumentações e provas. A justiça avaliará as evidências para decidir sobre a adequação do novo valor proposto.
É importante salientar que a revisão da pensão alimentícia busca sempre atender ao melhor interesse das crianças, garantindo que todas as suas necessidades sejam atendidas de acordo com as possibilidades dos pais. Assim, a revisão pode tanto aumentar quanto diminuir o valor da pensão, dependendo das circunstâncias apresentadas durante o processo legal.